Caridade. Esse foi e é o tema. Recentemente, em mais uma realização de nossas reuniões, a conversa pairou sobre o tema do título do post. E como sempre as questões sempre emergem para o nosso consciente.
Que lhe aconteceu, caridade? Já faz tempo que não se ouvi esta palavra. Só percebemos como tem sido detratada, entrada em desuso. Hoje, parece que a caridade não é mais uma “virtude”, mas um ato vergonhoso.
Há algum tempo percebemos que o termo caridade vem se modificando, ganhando nova roupagem talvez. Hoje se pode dizer que a nova termologia associada a ela seria a responsabilidade social?
Mas nós, espíritas ou aprendizes da doutrina, temos a noção de que o conceito de caridade tem características sutis, mas diferenciais das acepções de responsabilidade social ou solidariedade.
Tudo isso, porque, percebe-se a caridade é um ato voluntário, o exercício do livre arbítrio. Sem livre arbítrio, não existe caridade e nem mérito, e mais que isto, economicamente falando, também não existe o melhor julgamento quanto à quantificação dos recursos a serem utilizados. Por meio do livre arbítrio, o agente caridoso pode julgar quais e quanto de seus recursos (dinheiro, bens, ou seu próprio trabalho) serão usados em favor do necessitado, e quanto pode sacrificar de seu próprio bem-estar, ou de outras pessoas sob a sua responsabilidade, para o exercício de tal tarefa.
A caridade pode originar de um sentimento humanista ou religioso, mas tanto faz: justamente por ser um ato livre, denuncia a compaixão, a piedade, e o juízo por parte do praticante, como bem atesta a parábola do bom samaritano. O espiritismo, embora recomende, não obriga seus adeptos à prática. E com razão: como poderia alguém merecer o “céu” por atos que pratica por obrigação?
Em contrapartida, a pessoa socorrida também faz com que o sentido da caridade se complete. Ao despir-se do orgulho e da inveja, também ela, ao mesmo tempo, a pratica, ao dar esta oportunidade a quem, talvez pela primeira vez, esteja tentando ser útil. Nenhum de nós está livre de necessitar ajuda. Ocupamos todos corpos frágeis, e nossas riquezas materiais são voláteis, de modo que não há vergonha a ninguém por receber uma mão amiga em algum momento da vida.
Para o nosso grupo estas são, portanto, as características da caridade: amor ao próximo, desapego, ausência de contraprestação, respeito mútuo, discrição, gratidão, não abuso, andar com as próprias pernas assim que possível.
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