sexta-feira, 24 de junho de 2011

TROVADORES NA FESTA

É São João em todo o Brasil. É São João em TODO o Nordeste.
Neste período alguns espíritas falam na não comemoração de tais festejos, expondo que: "tais comemorações não devem adentrar-lhe a intimidade." ou que "honrar o templo espírita é preservar o Espiritismo contra os programas marginais, atraentes e aparentemente fraternistas, mas que nos desviam da rota legítima para as falsas veredas em que fulguram nomes pomposos e siglas variadas."
Não vou aqui levantar nenhuma bandeira, nem discorrer sobre o assunto, pois ainda tenho que acender a fogueira. Em outro momento a gente conversa sobre a importância do diálogo entre a religião e a vida. Quando digo vida, falo do mundo, da carne, do mecanismo ainda necessário para todo e qualquer um mero passageiro deste gigante ônibus chamado planeta terra.
Ah, antes do "anarriê", deixo alegria, paz e bem:


TROVADORES NA FESTA



Dão licença, meus irmãos,

Dão licença em confiança,

Porque também nós queremos

Participar da festança.

Formiga

*

Neste arraiá de Jesus

Tristeza não tem lugar.

Quem tenha pranto nos olhos

Faça o favor de enxugar.

Clóvis Amorim

*

No salão embandeirado,

Comandando o arrasta-pé,

Segue à frente, braços dados,

A Caridade com a Fé.

Dalmo Florence

*

Entre os pares da “quadrilha”

Eu me ajeito de carona,

Que não posso ficar quieto

Ouvindo o som da sanfona.

Cego Aderaldo

*

Não consegue ficar quieto?!

Então sou eu e você,

Que só de ver a sanfona

Vou gritando balancê...

Zé da Luz

*

Alto lá que é a minha vez...

Quero um gole de quentão,

Para matar a saudade

Que vive em meu coração...

Catulo

*

Que o quentão seja servido

Numa caneca furada,

Pois muita gente já é

De natureza esquentada...

Cipriano Jucá

*

Óia o caminho da roça...

Óia a cobra... Invém a chuva...”

Para que seja o meu par

Eu procuro uma viúva.

Corrêa Júnior

*

Joga lenha na fogueira,

Não deixe que ela se apague...

Preciso de uma morena

Que me beije e que me afague.

Lúcio Mendonça

*

E que viva Santo Antônio,

O santo casamenteiro,

São Pedro, São João Batista

E mais algum futriqueiro...

Rogaciano Leite

*

Perdoem nossa alegria...

Tudo é paz, amor e luz.

Tristeza não tem lugar

Neste arraiá de Jesus.

Formiga




Livro: Dor e Luz

Carlos A. Baccelli, pelo Espírito Eurícledes Formiga
IDE – Instituto de Difusão Espírita

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Páscoa

Há tempo não escrevemos, nem comentamos sobre os nossos aprendizados em nossas atividades diárias. Mas, desejamos que hoje seja uma data de retorno, um momento de retomarmos os nossos papos e trocas de experiências.



Deve-se comemorar a Páscoa? Como o Espiritismo visualiza o acontecimento da paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus?

O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo. Assim, como as pessoas são lembradas, em nossa cultura, pelo que fizeram e reverenciadas nas datas principais de sua existência corpórea (nascimento e morte), é absolutamente comum e verdadeiro lembrarmo-nos das pessoas que nos são caras ou importantes nestas datas. Não há, francamente, nenhum mal nisso. Mas, para o Espiritismo a forma de encarar a Páscoa (ou a Natividade) de Jesus, assume uma conotação bastante peculiar.

A Páscoa, não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. A Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido da festa, para adaptá-la, lhe dando um novo significado.

Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do “pesah”, uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra ainda não era flagrante. Também estava associada à “festa dos ázimos”, uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado “êxodo” (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas. É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia.

Mas há outros elementos “evangélicos” que marcam a Páscoa. Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa. Os primeiros relacionam-se ao “martírio”, ao sofrimento de Jesus, e os últimos, à ressurreição e a ascensão de Jesus.

A Páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos “nossos” pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para “nos salvar”, dos nossos próprios erros, ou dos erros cometidos por nossos ancestrais, em especial Adão e Eva, no Paraíso. A presença do “cordeiro de D’us”, que cumpre as profecias do Antigo Testamento, quanto à perseguição e violência contra o “filho de Deus”, está flagrantemente aposta em todas as igrejas, nos crucifixos e nos quadros que relatam – em cores vivas – as fases da via sacra. Esta tradição judaico-cristã da “culpa” é a grande diferença entre a Páscoa tradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe. Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande – e última lição – de Jesus, que vence as iniqüidades, que retorna triunfante, que para asseverar que “permaneceria eternamente conosco”, guiando nossos passos.

Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Mestre, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, da evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar “coordenando” o processo depurativo de nosso planeta. Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida.

Nesta Páscoa, vamos lembrar de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que o imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por ele, qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa luz”. Comemoremos, então, uma “outra” Páscoa. A nossa Páscoa, a da nossa transformação, rumo a uma vida plena.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Ausentar-se.

O ato de se tornar ausente pode ser interpretado por diversos prismas.

Uma pessoa pode ausentar-se para se preservar de uma situação. Não estando nela, seja física ou espiritualmente, podemos nos poupar de desgastes desnecessários ou de agressões dirigidas a nós simplesmente porque estávamos no caminho. É o tal do "saber tirar o time de campo".

Por outro lado, às vezes nos ausentamos sem perceber. Paramos de dar o sorriso matinal, de fazer nossa obrigação no trabalho doméstico, de orar antes de dormir...

...paramos de nos perceber. Sabe? Nos ausentamos de nós mesmos!

Quando a vida parece pesada demais, quando o fardo nos parece injusto, quando o mundo parece estar contra nós, quando o chefe é um carrasco e você é uma vítima, quando as pessoas que amamos não nos dão atenção suficiente e temos que pedir carinho....

Pode notar: o que há de comum nessas cenas?
O ato de transferir a responsabilidade da nossa vida para outras pessoas e outras situações. Isso é muito perigoso, porque uma pessoa que não sabe quem é não consegue viver. Ela tristemente sobrevive. É um objeto da sociedade, e não agente da própria vida. É o tal do "ah, mas é assim mesmo... o que eu posso fazer? O sistema é assim."

Que sistema?
Então, se você é ranzinza, amargo, tristonho, o seu sistema é esse? Você se decretou (e pior, decretou a quem vive perto de você) essa condição, amigo.

Quem pode te ajudar a sair dela? Quais das alternativas você escolheria?

a) A Xuxa.
b) O chefe, se te der um aumento.
c) O companheiro ou companheira, se te valorizar mais.
d) Você.

Parece óbvio, né?
Desculpem o tom irônico, eheh... Não quero ofender ninguém, mas, antes, despertar. Não se ausente de você mesmo nunca, porque a junção da sua alma com o seu corpo é única e maravilhosa, e você tem dons que ninguém mais tem. Você é muito bom em, pelo menos, cinco coisas. Você pode inspirar lindamente os que te cercam.

"Presencie-se". Sempre e da melhor forma.
Boa semana a todos!

[Desculpem o longo período sem postagens. Ele aconteceu justamente porque me ausentei de mim, só que hoje foi um dia muito especial na minha retomada pessoal e resolvi marcá-lo com essas palavras que passaram a semana ecoando na minha mente]


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O Cristo Consolador : O Jugo leve

"Todos os sofrimentos, misérias, decepções, dores físicas, perda de seres amados, encontram consolação em a fé no futuro, em a confiança na justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens. Foi isso que levou Jesus a dizer: "Vinde a mim todos vos que estais fatigados, que eu vos aliviarei"."
Evangelho Segundo o Espiritismo - Cap. VI.


Para ilustrar o tema de uma das nossas reuniões, hoje apresento um texto do irmão espiritual Caio Cézar. Ele nos faz pensar nos infortúnios mais oculto de nosso ser. Nos traz não o medicamento, mas a receita capaz de fazer com que compreendamos de forma prática aquilo que antes nos passava aos sentidos sem explicações. Porque ir até Jesus ( o Cristo Consolador ) não é em si frequentar centros ou igrejas, mas ir ao encontro do semelhante, do nosso próximo. E ao encontrar os entes e apararmos as arestas e nos reconciliarmos ainda nesta caminhada, alcançaremos o alívio de nossas fadigas.


SEMPRE OS OBSTÁCULOS....

Cada dificuldade que encontramos na rota de nossas vidas é sempre o que foi plantado em vida recente ou mesma de acumulo de erros passados e que agora se acentuam com maior intensidade.

Já perceberam que há defeitos que demoram a serem removidos de nossas mentes e nossos caminhos?

Nem sempre conseguimos nos livrar de rancores, ódios e desejos, que foram empecilhos para o crescimento espiritual, de vez e, quando e somente a custo de muito sacrifício, vamos nos libertando, certos que na medida, a compreensão, a fé e o amor crescem dentro dos nossos corações.

Precisamos de trabalhos constantes e dentro dos nossos limites, para um aprendizado maior em nossas vidas.

Esse aprendizado demanda renúncia, superação e acima de tudo acreditar que somos capazes de vencer todos os obstáculos por nós mesmos criados e que precisam agora serem vencidos.

Nada de aceite total de qualquer tipo de obstáculo, que no fundo, sabemos que estamos buscando, ainda sob o domínio de nossas ignorâncias espirituais.

Esse enfrentar de qualquer tipo de problema que nos esteja perturbando o nosso bem estar material e espiritual, requer fé.

Busque dentro do seu interior que abriga as verdades dos ensinamentos de nosso querido e amado mestre Jesus,as respostas de todas as indagações dos porquês de nossas fraquezas materiais.

Seja de ordem moral, conjugal, financeira, não importa qual que seja, abalize os seus pensamentos, faça crescer a luz divina dentro do seu coração, acredite na força que está adormecida e arrebente as barreiras de suas dificuldades.

Saiba que o nosso Pai Celestial não deixa sob os seus ombros um fardo maior que não possa carregar, vem tudo na medida certa.

As conquistas materiais nada representam ante as dádivas que o céu pode oferecer, no Reino do nosso grande Criador.

Difícil de acreditar, bem o sei, mas se habilite e se credencie com os bônus da vida eterna, não se esquecendo de viver a etapa terrena, com o coração enobrecido pela boas obras e acima de tudo, a caridade para si próprio e para o seu próximo.

Nada de violência, controle todos os seus ímpios negativos e busque dentro do agir positivo, mesmo diante das suas grandes dificuldades terrenas, as soluções necessárias para o o ajuste espiritual.

Passe a observar todas as pessoas que te cercam e cada um tem exatamente a medida certa para que você enxergue tudo aquilo que precisa mudar.

Mas cuidado com palavras ásperas para tentar tirar a sua serenidade e mesmo outras ofensas no campo familiar.

Outros com desprezo em função de sua falta de sensibilidade em ser correto e sensato, até no simples olhar ou mesmo, ao dirigir uma palavra...

Por fim, a pessoa amada espera sempre de você aquela paciência, carinho e atenção, para ter a certeza de te dizer, após o rompimento de todos os laços da corrente sombria, sob a sua esfera carnal, a simples frase:
EU TE AMO.

Lembre-se: O amor é o que rompe todos os liames das inúmeras dificuldades que temos que passar na terra.

AME... AME... AME...

Um dia entenderemos o valor de grande amor divino e universal!

MUITA PAZ.

Em 11.11.05 - 2h10min - Dilson Macedo
Espírito de Caio Cezar.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Não vim destruir a lei

como sabemos, para que o funcionamento das coisas se dê de forma eficaz e, na medida do possível, adequada, existem leis. leis são normas [consensuais ou não] que determinam a conduta comportamental de um contexto.

no que diz respeito à religião, existem as leis do antigo testamento, personificada na figura de Moisés; e as leis do novo testamento, personificada na figura do Cristo. o antigo testamento exemplifica o tipo de lei transitória, que serve para fins imediatos, com caráter civil e/ou disciplinar, adaptável aos costumes do povo ao qual ela se aplica, e passível de variações ao longo do tempo. o novo testamento configura-se no conjunto de leis atemporais e aplicáveis a quaisquer seres, e tem um caráter divino.

Moisés precisava manter seu povo sob controle, e, para isso, atribuiu às suas leis uma origem divina para que o povo, naturalmente turbulento, indisciplinado e temente pudesse ser mantido sob esse temor. algo semelhante à famosa frase "olha! não faz isso senão Deus castiga, menino!".

as leis do novo testamento são aquelas anunciadas no monte sinai. Jesus, ao anunciá-las, o fez de maneira a apenas lançar o germe dessas verdades, sem tê-las esclarecido, pois não seriam compreendidas na época.

o espiritismo, doutrina que estuda os fenômenos do plano espiritual e sua aplicação em todos os planos, é também uma ciência, que procura revelar aos homens a existência do mundo espiritual e sua relação com o mundo material. a roupagem usada para essa apresentação abandona qualquer relação com o fantástico ou o maravilhoso. o espiritismo é objetivo e apresenta provas de suas afirmações. é a terceira revelação da lei de Deus, embora não esteja personificado em ninguém. seus ensinamentos nos são transmitidos por um corpus de espíritos presentes em todas as partes do planeta. é um ser coletivo. e essa doutrina não nega o ensinamento do Cristo, mas o desenvolve, completa e explica em termos claros o que outrora fora dito somente de forma alegórica e/ou metafórica.

a ciência e a religião são os dois alicerces da inteligência e da existência humana. a primeira trata das leis do mundo material e a segunda, das leis do mundo moral. as duas têm seu princípio em Deus, logo, não podem contradizer-se. no decorrer dos séculos, por uma falha de observação e pelo excesso de esclusivismo de uma de outra parte, ocorreu uma cisma que gerou a incredulidade e a intolerância de uma sobre a outra. não digo isso de forma a generalizar, mas é o que se observa em grande parte do mundo.

entre elas, é necessária uma ligação, algo que preencha o espaço que as separa atualmente. esta ligação é o entendimento entre as relações da lei do mundo espiritual com a lei do mundo corporal. aos poucos, essa consciência está sendo formada pelas pessoas. os retardatários serão levados pelo movimento coletivo. é dessa forma que a revolução moral acontece.

agradeço o carinho dos leitores do blog. curiosamente, eles não comentam aqui, mas vêm pessoalmente conversar comigo. um beijo a todos e boa semana pra gente!

Fonte: O evangelho segundo o espiritismo - Cap. I - v.1-8.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Fora da Igreja não há salvação - fora da verdade não há salvação

oi, povo!
existe uma sutil diferença entre as frases: "fora da Igreja não há salvação" e "fora da caridade não há salvação". alguém se oferece para dizer qual é?

bem, pelo que entendi da leitura da última quarta-feira, dia 11 de novembro, a primeira define um dogma, enquanto a segunda define um princípio universal.

na Igreja [com "i" maiúsculo mesmo], a tão desejada felicidade eterna e a salvação dependem do quanto a pessoa é disciplinada e dedicada aos dogmas particulares desta Igreja. é uma fé específica em determinado deus, em determinadas regras, as quais não são gerais a todos os seres. é uma fé que separa os que "têm fé de verdade" dos que "crêem em enganos".

já na idéia de caridade está, como dito anteriormente, o princípio universal de que todos os filhos de Deus têm condições de alcançar a felicidade suprema através dela. é uma fé geral e que pode ser aplicada e praticada a todos e por todos os seres. a idéia de caridade une ao invés de separar os indivíduos em "fé de verdade" e "fé de mentira", de acordo com as leis dos homens.

nós, espíritas, acreditamos na caridade como preceito básico para auxiliar no crescimento pessoal e espiritual. ela é a idéia primeira que permeia tudo o que temos por verdade.

"a máxima 'fora da caridade não há salvação' é a consequência do princípio da igualdade perante Deus e da liberdade de consciência. tendo-se essa máxima por regra, todos os homens são irmãos, e seja qual for a sua maneira de adorar o Criador, eles se dão as mãos e oram uns pelos outros." (p. 201)

outra coisa interessante sobre essa leitura é a comparação entre "verdade" e "Igreja" como sinônimos, quando essas frases são usadas para afirmar a soberania de uma verdade religiosa sobre todas as outras. numa era como a nossa, no chamado "século do pensamento e do intelecto", como pode algum homem querer ter a verdade absoluta, eis que assistimos diariamente à ciência expandindo descobertas e aliando-se cada vez mais aos assuntos de ordem espiritual? não seria mais fácil aceitarmos nossa condição de humanos errantes e aprendizes? creio que seria mais digno e mais verdadeiro.

quando alguém começa a discursar pra mim sobre "o erro em ser espírita, sobre os enganos de 'deuses falsos' e toda sorte de fantasmas assustadores que vêm do além", eu digo pra pessoa que, antes de tudo, eu creio na caridade. que o meu Deus é o mesmo que o dela, embora chamdo por outros nomes, e que ele está em tudo. em todos nós. é necessário que os homens entendam que cada um sabe de uma verdade relativa, que varia de acordo com o seu adiantamento espiritual individual. logo, a tal verdade absoluta não pode ser praticada igualmente por pessoas em níveis espirituais diferentes, mas a caridade pode ser praticada por todos. termino com as palavras dos espíritos que fecham esse versículo:

"o espiritismo, de acordo com o evangelho, admitindo que a salvação independe da forma de crença, contanto que a lei de Deus seja observada, não estabelece: fora do espiritismo não há salvação, e como não pretende ensinar toda a verdade, também não diz: fora da verdade não há salvação, máxima que dividiria em vez de unir, e que perpetuaria a animosidade." (p. 202)

boa semana pra todos nós!
um beijo!

Fonte: O Evangelho segundo o Espiritismo - Cap. XV - vs. 8, 9, 10

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A Prece

“A forma não é nada, o pensamento é tudo. Faça cada qual a sua prece de acordo com as suas convicções, de maneira que mais lhe agrade, pois um bom pensamento vale mais do que numerosas palavras que não tocam o coração”.

Muito se tem dito a respeito da prece, mas muito pouco ainda conhecemos do seu mecanismo de funcionamento. Por isso mesmo, pouco a valorizamos, e por vezes até a esquecemos.

Mas o que vem a ser uma Prece? Qual a sua importância? Por quem devemos orar? Qual a sua eficácia?

Definir o que venha a ser uma prece é algo complicado, difícil. Entre várias definições, inúmeras teorias e uma vasta lista conceitos, poderíamos dizer que a prece é uma invocação e que por meio dela pomos o pensamento em contato com o ente a quem nos dirigimos.

Sua importância se dar na manutenção, digamos assim, da harmonização de nossa mente e espírito. Se não limparmos o nosso psiquismo, os espíritos luminosos se afastam(mesmo que temporariamente), favorecendo a ação de espíritos endurecidos.

E assim, também se mostra as necessidade de orarmos primeiramente por nós mesmos, por nossos parentes, pelos nossos amigos e inimigos, deste e do outro mundo; devemos orar pelos que sofrem e por aqueles por quem ninguém ora.

Como toda ação tem uma reação. Como para cada atividade há uma finalidade. Na prece podemos verificar sua eficácia, que esta na dependência da renovação íntima do homem, em que deve prevalecer a linguagem do amor, do perdão e da humildade para que ele possa assim, de coração liberto de sentimentos negativos, agradecer a Deus a dádiva da vida.

“Vigiai e Orai”. Foi o que nos recomendou o Mestre.